
A evolução das terapias celulares vem transformando o panorama do tratamento onco-hematológico, especialmente em casos refratários. No contexto do mieloma múltiplo recidivante ou refratário (RRMM), um estudo recente publicado no Journal of Clinical Oncology [1] apresentou evidências promissoras sobre a durabilidade e o potencial curativo da terapia com células CAR-T, especificamente o produto ciltacabtagene autoleucel (cilta-cel).
O estudo CARTITUDE-1 relatou que, após uma única infusão de cilta-cel, um terço dos pacientes (32 de 97) permaneceu em remissão por pelo menos cinco anos, sem a necessidade de terapia de manutenção. Trata-se da mais longa duração de acompanhamento relatada para uma terapia CAR-T em mieloma múltiplo, reforçando o papel dessa estratégia como possível abordagem curativa. Confira!
Remissão e sobrevida a longo prazo após terapia CAR-Tl em pacientes com mieloma múltiplo
O RRMM apresenta uma taxa de sobrevida mediana historicamente inferior a um ano após múltiplas linhas de tratamento. As opções terapêuticas para pacientes triplo-refratários — aqueles que já não respondem a imunomoduladores, inibidores de proteassoma e anticorpos anti-CD38 — são limitadas e, geralmente, de eficácia transitória.
A introdução das terapias CAR-T dirigidas ao antígeno de maturação de células B (BCMA) representou um avanço. Cilta-cel, desenvolvido a partir da modificação de linfócitos T do próprio paciente, demonstrou alta taxa de resposta e sobrevida livre de progressão em estudos anteriores. A nova análise de cinco anos traz dados robustos de eficácia prolongada, sem necessidade de intervenções adicionais.
Resultados de eficácia
Segundo os principais resultados apresentados, a nova terapia resultou em (mediana de acompanhamento de 61,3 meses) uma sobrevida global foi de 60,7 meses. Entre os 32 pacientes que se mantiveram livres de progressão por cinco anos, 96,9% atingiram resposta completa rigorosa (stringent complete response, sCR). Esses dados foram confirmados por avaliações seriadas de doença residual mínima (MRD) e PET-CT em um subgrupo, todos com resultados negativos após cinco anos.
A análise dos dados sugere que a resposta duradoura pode ser atribuída, em parte, a fatores imunológicos e biológicos presentes antes e após a infusão. Entre os parâmetros associados a maior chance de remissão prolongada estão: menor carga tumoral basal, maior proporção de linfócitos T naïve no produto celular, maior razão entre células efetoras e alvo (E:T), e níveis mais elevados de hemoglobina e plaquetas antes da infusão.
Perfil de segurança
O perfil de segurança observado na análise de longo prazo foi consistente com os dados previamente relatados. Entre os pacientes que permaneceram em remissão, não houve novos casos de eventos neurológicos graves, parkinsonismo ou neuropatias cranianas. As toxicidades foram controláveis e incluíram infecções de grau ≥3 e dois casos de neoplasias secundárias.
Esses achados sugerem que a terapia CAR-T, mesmo em pacientes fortemente tratados, pode ser administrada com segurança, mantendo eficácia sustentada a longo prazo.
Implicações terapêuticas e futuras direções
Os dados do estudo CARTITUDE-1 indicam que cilta-cel não apenas prolonga a sobrevida, mas pode proporcionar uma remissão duradoura, algo anteriormente inatingível para essa população. A proporção de pacientes MRD-negativos aos cinco anos é particularmente significativa, já que a negatividade sustentada de MRD é um marcador amplamente aceito de prognóstico favorável no mieloma múltiplo.
Essas evidências também reforçam o conceito de que a administração precoce de terapias altamente eficazes, como a CAR-T, pode melhorar os desfechos, reduzir a necessidade de linhas subsequentes e preservar a função imune dos pacientes. Ensaios clínicos em curso, como o CARTITUDE-4, -5 e -6, avaliam o uso de cilta-cel em linhas terapêuticas mais precoces, com potencial de redefinir o paradigma terapêutico atual.
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Referências
[1] Jagannath S, Martin TG, Lin Y, Cohen AD, Raje N, Htut M, Deol A, Agha M, Berdeja JG, Lesokhin AM, Liegel JJ, Rossi A, Lieberman-Cribbin A, Usmani SZ, Dhakal B, Parekh S, Li H, Wang F, Montes de Oca R, Plaks V, Sun H, Banerjee A, Schecter JM, Lendvai N, Madduri D, Lengil T, Zhu J, Koneru M, Akram M, Patel N, Costa Filho O, Jakubowiak AJ, Voorhees PM. Long-Term (≥5-Year) Remission and Survival After Treatment With Ciltacabtagene Autoleucel in CARTITUDE-1 Patients With Relapsed/Refractory Multiple Myeloma. J Clin Oncol. 2025 Jun 3:JCO2500760. doi: 10.1200/JCO-25-00760